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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Saiu da cidade no dia 5 rumo à sua terra natal. Levava na mente uma ideia: passadas algumas décadas gostava de voltar a ouvir um agrupamento de "cantadores dos Reis" ou das "Janeiras", a cantar junto à sua porta, onde tantas vezes junto dos pais e mais família assistia com enlevo a tal manifestação.

Chegou à sua terra ao cair da noite. Adivinhava-se uma orvalhada forte e fria com a nevelina a pairar sobre os campos e as casas, cujas chaminés já fumegavam. Entrou em sua casa acendeu as lareiras para complementar o aquecimento da casa e preparou o jantar (a ceia) bem á moda da aldeia de seu tempo de criança, cozinhando-a no próprio fogo da lareira e numa panela de ferro.

Logo ao chegar à aldeia, tinha perguntado, se ainda se cantavam " os Reis", ao que as pessoas responderam: “às vezes ainda por aí aparecem mas, este ano, os habituas do grupo estão de luto, não é fácil que apareça alguém a cantar”.

Cozida a ceia, aconchegaram-se na mesa frente à lareira, saboreando o manjar e pensando consigo que teria que se contentar com um qualquer programa televisivo porque Reis, Janeiras, isso iria ficar adiado, para outro ano ou para outra encarnação....)

Não tinham sono, nem a saudosista, de que se fala nem o marido, citadino, a quem essas recordações de velhos tempos de aldeia, nada diziam, particularmente.

O programa na TV e o calor da lareira manteve-os acordados até tarde e, eis que, era meia noite e meia hora, toca intensamente a campainha do portão da entrada. Sobressaltados...., àquela hora, em que toda a aldeia parecia dormir, Exclamaram! Quem será? Acenderam as luzes do jardim e ouviram fora da vedação - escuro que nem breu - alguém perguntar: "Dão licença que a gente vos cantes os Reis?". Naquele instante a nossa amiga só conseguiu dizer: Damos pois....!

Ficou ali como estátua, ouvindo e recordando as quadras, a música, o som do acordeão, dos ferrinhos, do pífaro, do tambor e das castanholas, nem podia acreditar que o seu desejo estava a ser realizado. E, como cantavam bem!!! Depois, pediu ao grupo que lhe deixasse fazer uma fotografia.

Parecia uma criança! Nem deu pelo frio da madrugada! Correu para dentro de casa, com a emoção do acontecimento.

Agora, sim, já podia dormir. O sonho já se tinha cumprido.

Publicação: Wednesday, January 07, 2009 5:18 PM por portocego
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